Sozinho, de madrugada e sem nada pra fazer, comecei a refletir sobre como coisas sem explicação acontecem ao nosso redor o tempo todo e quase ninguém repara nelas. Após fazer uma rápida pesquisa na internet, encontrei vários textos sobre esse assunto, e então resolvi escrever sobre isso.
Primeiro vou falar sobre a Teoria do Caos, que explica que vários acontecimentos caóticos e aparentemente sem nenhuma ligação entre si podem ter sido gerados de um simples e insignificante evento. Isso é algo interessante, mas inútil, já que quando acontece alguma desgraça, você pensa apenas em como se livrar dela, e não em como tudo começou.
A Lei de Murphy, que diz que quando algo tem chance de dar errado, com certeza vai dar errado e do pior jeito possível, é algo que tira qualquer um do sério, como quando você precisa entregar um trabalho para o outro dia e, quando vai começá-lo, a internet cai, o computador trava, ou a energia acaba, e quando você finalmente consegue terminá-lo, a impressora simplesmente não funciona. Ou o fato de que toda prova que você faz é baseada nas aulas que você faltou ou no livro que você não leu, sem falar que sempre a informação que você mais precisa é aquela que ninguém possui.
Existem também aqueles momentos que, embora não causem danos muito sérios, fazem seu sangue ferver, como quando você está no banheiro e a campainha ou o telefone toca, e, após o tremendo esforço para atender quem quer que seja, na maioria das vezes é engano ou alguém querendo te vender um plano dentário. E quando é algo importante e você precisa anotar um recado, se você tem uma folha de papel não irá encontrar uma caneta, e se possui a caneta nunca vai achar o papel.
Outro exemplo da Lei de Murphy é o fato de que todas as vezes que um objeto cai no chão, ele acaba embaixo do objeto pesado, e, após outro tremendo esforço para pegá-lo, ele acaba caindo e voltando para o mesmo lugar, ou que quando o pão cai, o lado da manteiga sempre vai estar virado para baixo. Você pode observar um objeto o dia todo, mas quando precisar dele, ele vai simplesmente desaparecer. E, para concluir, sempre que você tenta impedir alguma coisa causada pela Lei de Murphy, os danos vão ser bem maior do que se você apenas deixasse acontecer.
Aqui vão mais alguns exemplos de eventos que não possuem explicação. Sempre que você perde uma tachinha ou agulha, ela vai parar em algum sofá ou cadeira, apenas esperando para alguém se sentar; Todas as bolas possuem uma estranha atração a objetos de vidro, principalmente se estiverem na beirada de uma mesa; Os filmes sempre travam na melhor parte e a energia sempre acaba quando você está tomando banho
Após tudo isso, reflito que com certeza algo sobrenatural está por trás de tudo isso, e seja lá o que for, possui um péssimo senso de humor...
Três meses se passaram desde que Ron começou a correr no hotel abandonado, e só então Dimon concluiu que ele havia conseguido resistência física.
– Hoje irá começar seu verdadeiro treinamento. – ele disse após os dois chegarem ao terraço do hotel.
– Beleza! Qual é a primeira arma que vou usar?! – disse Ron.
– Por enquanto você não usará nenhuma. A primeira parte de seu treinamento será fortalecer seu corpo, pois no seu estado atual, saber usar uma arma não servirá para nada.
– Está bem, o que tenho que fazer?
Dimon andou até um bloco de concreto de cerda de 1,5 m², perto da porta. No dia anterior ele não estava lá.
– A primeira fase deste treinamento será aumentar sua força, e ela só estará concluída quando você conseguir quebrar um bloco de concreto como esse usando apenas as suas mãos. – ele disse enquanto o empurrava para perto de Ron. Novamente Dimon demonstrava ter uma força tremenda, movendo aquele bloco como se fosse de papelão.
– Você está louco?! Isso é impossível! – disse Ron.
– “Isso é impossível!” – Dimon falou com tom de deboche. – Essa está se tornando sua frase mais famosa, sabia. Achei que você já havia entendido que toda a noção de possível e impossível que você possuía está errada!
Ron ficou com um pouco de vergonha enquanto pensava em como Dimon o via quando falava coisas como aquela.
– Mas eu sabia que você não iria acreditar, por isso eu mesmo vou quebrar este bloco.
Ele ficou de frente ao objeto, se preparou durante alguns segundos e, com apenas um soco o atingiu, fazendo com que seu centro começasse a se afundar enquanto dezenas de rachaduras se espalhavam por todo ele. Em menos de um segundo o bloco explodiu em vários pedaços, lançando pequenas pedras de concreto em várias direções. Algumas atingiram Ron, machucando seus braços e pernas.
– Como você fez isso? – o garoto disse impressionado.
– Esta não é uma habilidade difícil de adquirir, você até já deve ter visto alguém sem nenhum treinamento conseguir utilizá-la, como aquelas pessoas que conseguem puxar coisas pesadas, como caminhões e ônibus usando apenas seus corpos. – ele disse enquanto limpava a poeira de algumas pedras que também lhe acertaram.
– Eu vou precisar de anos de musculação para fazer isso!
– A diferença entre o treinamento da Dion e os outros tipos de treinamento está exatamente nesse ponto. O corpo humano está programado para nunca usar sua força além do necessário, e pessoas que fazem musculação conseguem aumentar essa necessidade, consequentemente aumentando sua força. Através do treinamento que você irá fazer, é possível controlar sua força ignorando a necessidade, assim a qualquer momento você poderá usá-la no mínimo ou no máximo.
Ron já estava tão acostumado a ouvir coisas surreais, que dessa vez entendeu completamente o que ele quis dizer.
– Mas se você consegue ficar tão forte, como seus músculos não são grandes?
– Músculos grandes possuem apenas a função estética, o que realmente produz força é a contração deles. – Dimon disse enquanto dobrava as mangas de sua camisa. – Observe meus músculos por exemplo. – disse enquanto os contraia.
Eles estavam duros como pedras, mas não foi nisso que Ron reparou, e sim no braço esquerdo do garoto, que como não estava mais coberto pela faixa preta que usava na escola, mostrava uma tatuagem exatamente igual ao pégaso estampado nas bainhas de suas adagas.
– Você tem uma tatuagem?! – ele disse impressionado.
– Ah sim, esse é o símbolo da Dion. Você também vai poder fazer uma quando entrar no clã.
Ron a achou bonita, mas ficou com medo da dor que iria sentir se fizesse uma.
– O que vou ter que fazer nesse treinamento? – ele por fim falou.
– Na verdade você não vai treinar aqui, nós vamos para outra propriedade da Dion.
– Espera aí, essa é uma propriedade da Dion?!
– Sim, essa é a minha base, e no futuro também poderá ser a sua.
– Essa porcaria de hotel abandonado?!
– Eu não possuo uma posição importante no clã, por isso era esse hotel ou um ferro velho.
– Você mora aqui?
– Não, eu estou morando na escola.
– Sério?! É por isso que você não sai de lá depois que acaba a aula?! Mas isso é impossível! Onde você dorme?!
– Eu fiz um quarto secreto dentro da biblioteca.
– Mas e se alguém descobri-lo?
– Quase ninguém vai à biblioteca, e mesmo os que vão se preocupam em somente pegar um livro, se sentar e lê-lo. – ele disse enquanto começava a andar na direção da porta. – Agora vamos, você precisa começar seu treinamento.
Eles foram para o último andar e quando chegaram no vão onde ficavam as escadas, Dimon simplesmente pulou para o terceiro andar e fincou as estacas para Ron. Ele já havia feito aquilo várias vezes, e por isso conseguia descer rapidamente e sofrendo apenas alguns arranhões.
Após sair do hotel eles andaram por vários quarteirões até chegar em uma enorme e luxuosa oficina de carros. Eles adentraram o lugar, e após passar por diversos mecânicos e belos automóveis, pararam quando se aproximaram de um homem com uniforme de mecânico que mexia no motor de um carro que parecia ser bastante caro.
– E aí Rock. – disse Dimon.
O homem parou o que estava fazendo e ficou ereto para poder encarar os dois. Ele tinha mais de dois metros, era bem musculoso, tinha cabelos raspados, um cavanhaque e a tatuagem de pégaso no lado esquerdo de seu rosto.
– Chaos, achei que você não viria. – ele disse enquanto limpava a graxa de suas mãos em um pano negro que estava em seu ombro.
– Trouxe o pacote? – disse Dimon.
– Sim, espere um pouco que vou buscá-lo. – ele disse e se afastou enquanto andava em direção a uma porta um pouco distante deles.
– Por que o nome Rock? – Ron perguntou em voz baixa.
– Sua arma é uma marreta de aço puro de quase uma tonelada, o que lhe deu o nome de Dense Rock.
O homem voltou com um saco de papel em suas mãos e entregou para Dimon.
– Esse tanto deve servir. – ele disse em seguida.
– Obrigado. – disse Dimon.
Rock se aproximou de Ron e deu um tapa em seu ombro. Sua mão era tão pesada, que o garoto se abaixou um pouco no mesmo instante.
– Então você é o adolescente que está tentando entrar no clã? Antes tarde do que nunca, não é mesmo?! – ele disse com um sorriso enquanto dava mais alguns tapas no ombro do garoto.
Sem saber o que significava, Ron deu um pequeno sorriso forçado.
– Eu sei que você ainda tem que treinar muito, por isso não vou tomar o tempo de vocês. O equipamento está montado na garagem. – ele disse com um enorme sorriso enquanto andava em direção ao carro cujo o motor devia estar sendo concertado por ele.
– Obrigado Rock. – Dimon disse enquanto observava a oficina como se já a conhecesse.
– Disponham, vocês podem vir pra cá sempre que precisarem. – ele disse em voz alta já encurvado enquanto observava o motor do carro.
– Por que ele falou “Antes tarde do que nunca”? – Ron disse após julgar que o homem não poderia mais ouvi-los.
– É por que você está um pouco atrasado. A idade média para os novos integrantes do clã é de oito a dez anos.
– De oito a dez?! O que eles fazem no clã?! – o garoto fez uma pequena pausa. – Na verdade, acho que já está na hora de você me esclarecer algumas coisas. O que as pessoas precisam fazer após entrar no clã? E como ele faz para se sustentar? Afinal aquelas armas não devem ter saído de graça, sem falar no hotel, que embora esteja caindo aos pedaços, também deve valer alguma coisa!
– Eu sei que você está cheio de dúvidas, mas este não é o momento de falar sobre isso. Por enquanto vamos nos focar apenas em seu treinamento.
O garoto começou a andar, deixando Ron furioso por não ter suas perguntas respondidas. Ele pensou em abandoná-lo, mas acabou cedendo e o seguiu. Eles atravessaram uma pequena porta e passaram por uma série de corredores até chegar à garagem. O lugar estava escuro, e embora a única luz fosse a do corredor atrás deles, Ron percebeu que ela devia ter cerca de dois andares de altura e estava cheio de carros.
Dimon penetrou a escuridão e todas as luzes do lugar se acenderam em seguida, mostrando diversos carros velhos e quebrados, um ao lado do outro nos cantos da garagem, deixando um enorme espaço no centro, onde havia um enorme motor com várias correntes se cruzando até o teto, onde prendiam um carro popular.
– Nós iremos treinar aqui você conseguir segurar aquele carro com as próprias mãos durante pelo menos um minuto. – Dimon falou enquanto se afastava da parede onde estava o interruptor das luzes e passava pelos carros até chegar ao centro.
Ron também foi até o centro enquanto evitava incontrolavelmente começar o discurso do “Isso é impossível!”.
– O que tenho que fazer? – ele disse forçando estar calmo.
Após se aproximar do garoto, Dimon retirou do saco de papel um par de luvas, um enorme pote de vidro cheio de pequenas pílulas negras e um cronômetro digital.
– Coloque essas luvas. – ele disse após entregá-las para o garoto.
– Elas são mágicas? – Ron disse enquanto as observava.
– Mágicas?! – ele disse sério. – Não, são apenas para impedir que você machuque suas mãos.
O garoto não se sentiu envergonhado por perguntar aquilo, pois naquele momento ele podia acreditar em qualquer coisa.
– Essas pílulas são conhecidas como Pílulas do Despertar. – Dimon falou enquanto mostrava o vidro para Ron. – elas são o resultado de décadas de pesquisa e é uma das responsáveis por fazer da Dion uma das organizações mais poderosas do mundo.
– Do mundo?!
– Sim. Você teve sorte de poder ter a chance de fazer parte do clã Dion, na maioria dos outros clãs é preciso um treinamento muito mais longo e árduo para conseguir o mesmo efeito causado por essas pílulas.
Ron se espantou ao ouvir isso, durante todo o tempo pensou que a Dion era apenas um pequeno grupo de pessoas que se denominava “clã”, e ao ouvir tudo aquilo, percebeu que se conseguisse ser introduzido nela, poderia começar a se envolver em algo sério e perigoso.
Mesmo ao pensar em tudo aquilo, ele não ficou com medo, e sim orgulhoso, pois pela primeira vez poderia participar de algo realmente importante.
– O que essa Pílula do Despertar faz? – ele disse coberto de empolgação para começar o treinamento.
– Ela altera a percepção do seu cérebro, retirando o limite de força provocado por ele e permitindo que você a use em seu nível máximo.
– Então eu não preciso treinar, basta tomar uma delas toda vez que precisar ficar forte!
– Seria bastante complicado fazer isso, pois seu efeito dura apenas 20 segundos, e após ingeri-la, é necessário esperar pelo menos dez minutos para tomar outra, ou ela pode causar danos ao seu cérebro. – disse Dimon. – Quando você tomá-la, eu irei contar até cinco, soltar o carro e você irá segurá-lo até a pílula não fazer mais efeito, a partir de então, você terá que forçar seu corpo a usar sua força máxima naturalmente.
– Está bem. Vamos começar. – Ron disse enquanto colocava as luvas.
Dimon lhe deu uma pílula e foi até a enorme máquina no centro da garagem, onde havia vários botões e uma alavanca.
– Como é a primeira vez que você vai ingerir uma Pílula do Despertar, sua visão e sensação de equilíbrio vão ficar confusas e seus músculos vão ficar imóveis, como se estivessem paralisados. Você vai precisar forçá-los a se moverem, ou o carro vai cair em cima de você. – Dimon falou com uma expressão fria, como se não importasse se o garoto se machucasse.
Ron ficou chocado com a falta de emoções com que ele falava, mas acabou entendo o que ele queria transmitir com aquilo. Se Ron não quisesse aquilo, poderia desistir a qualquer momento. O garoto engoliu a pílula sem nenhum esforço, e, poucos segundos depois sua visão começou a ficar embaçada, sua cabeça começou a rodar e seus braços pareciam não se mover.
– Esforce Ron. Vou começar a contar, um, dois...
Enquanto a contagem começava, ele colocava suas mãos para cima com muito esforço, enquanto sentia uma intensa dor em seus ombros e todo seu corpo começava a suar.
– Três, quatro, cinco! – ele falou e puxou a alavanca em seguida, liberando as correntes e deixando o carro cair livremente.
Ron olhou para cima e viu o automóvel despencar enquanto seu coração acelerava exponencialmente, como se fosse explodir. Quando suas mãos tocaram no frio metal, achou que seria seu fim, mas inacreditavelmente ele conseguiu segurar o carro.
Ele estava muito pesado, e desde o começo os braços e pernas do garoto tremiam enquanto ele tentava mantê-lo no lugar. Ron aguentou durante quase dez segundos, até que soltou um urro e Dimon puxou a alavanca no mesmo instante, fazendo o carro subir.
Ron caiu de joelhos, enquanto seus braços e pernas tremiam ainda mais.
– Eu não... Não estou bem. – Ele disse sem fôlego.
– O efeito da pílula vai passar em poucos segundos. Descanse enquanto vou buscar um pouco de água.
Enquanto Dimon saía da garagem, a visão de Ron começou a voltar ao normal e seus músculos relaxaram até a sua sensação de mal estar desaparecer. O garoto voltou pouco tempo depois com uma garrafa de água e um copo.
– Enquanto você descansa, eu devo te dizer uma coisa. Independente de você entrar para o clã ou não, você jamais deve dizer a alguém sobre como esse treinamento foi feito. A Dion possui muitos inimigos, e se eles conseguirem informações sobre a Pílula do Despertar, eles podem acabar descobrindo alguma maneira de nos destruir.
Ron concordou com a cabeça. Os dez minutos se passaram rapidamente, o garoto tomou outra pílula e os sintomas voltaram ao seu corpo. Novamente ele não aguentou segurar o carro por mais de dez segundos, e Dimon teve puxar o carro novamente.
Com o passar dos dias, os sintomas causados pelas pílulas foram diminuindo até desaparecerem, e o tempo em que ele conseguia segurar o carro aumentou cada vez mais, até que dois meses após ele começar o treinamento ele conseguiu segurá-lo durante um minuto.
– Finalmente! – o garoto disse enquanto caia no chão após Dimon puxar a alavanca.
– Vou lhe dar o resto do dia de folga. Amanhã nosso treinamento voltará a ser no hotel.
Enquanto saiam da oficina, eles se encontraram com Rock.
– Nós terminamos essa parte do treinamento. Eu gostaria de agradecer por tudo. – disse Dimon.
– Isso não é necessário, afinal nós somos da Dion, a união é o que nos fortalece. – Rock disse com um sorriso. – Treine bastante para conseguir entrar no clã, garoto! – ele disse para Ron.
– Eu irei.
– Se precisar, você pode me chamar que no mesmo segundo eu estarei pronto para lhe ajudar. – disse Dimon.
– Você também, sempre que precisar é só me chamar.
– Nós já vamos, Ron precisa descansar para começar a segunda parte do treinamento.
– Está bem, se cuidem. – Rock disse e se afastou.
– Qual o nome verdadeiro dele? – Ron disse enquanto eles caminhavam em direção a saída da oficina.
– Do Rock? – disse Dimon.
– Sim.
– Eu não sei. Esses apelidos, como Chaos Diamond ou Dense Rock são usados para assegurar que ninguém descubra nossa verdadeira identidade, garantido mais segurança para os membros do clã.
– Mas eu sei seu verdadeiro nome.
– Sim, mas somente porque eu estudo na mesma escola que você. Mesmo você sabendo meu nome, você jamais deve contá-lo a ninguém.
– Está bem.
Após saírem da oficina, Dimon foi para escola enquanto Ron voltava para sua casa. Enquanto passava pela rua em que o garoto havia lhe falado sobre a Dion pela primeira vez, várias lembranças sobre aquele dia se passaram pela sua cabeça, inclusive a de quando sua mãe lhe falou que, quando ela disse ao seu pai que estava grávida, ele lhe falou que não poderia ajudar a criá-lo, pois era do clã Dion.
“Isso não faz sentido” ele pensou, afinal, se o seu pai também possuía um nome falso, não haveria motivo nenhum para protegê-lo. Quanto mais Ron refletia sobre aquilo, mais se convencia de que seu pai era apenas um covarde que usou a Dion para fugir de sua responsabilidade.
Na escola, pouco a pouco Sarah havia entrado no “grupo” de Ron e Dimon, e todos os dias na hora do intervalo eles ficavam juntos conversando.
– Vocês viram aquele filme que passou ontem a tarde? – ela disse após comprar algo para comer.
Os dois garotos se entreolharam, como se um estivesse esperando o outro responder.
– Não. – Dimon acabou falando.
– É impressão minha, ou vocês nunca sabem de nada que acontece no mundo? O que vocês ficam fazendo enquanto não estão na escola?
Os dois se entreolharam novamente.
– Eu... Estou... – disse Ron.
– É porque nós não assistimos muita televisão. Certo Ron? – disse Dimon.
– Sim, eu passo a maior parte do tempo no computador. – o garoto disse tentando ser natural.
Ela achou aquilo um pouco estranho, mas decidiu não continuar com aquele assunto.
Após a escola, eles foram para o hotel e subiram até o terraço, onde havia outro bloco de concreto.
– Essa é a última parte do treinamento. Nela você não usará mais as Pílulas do Despertar. O que você deve fazer é forçar sua mente e corpo a usar sua força máxima usando apenas sua força de vontade, e assim conseguir quebrar esse bloco usando apenas suas mãos.
– Isso vai ser fácil. – Ron disse enquanto se aproximava do bloco.
Com grande confiança ele deu um soco com todas suas forças no concreto, saindo correndo de um lado para o outro enquanto gritava de dor no segundo seguinte.
– Não é tão simples assim. Como você não possui experiência nenhuma com essa técnica, é preciso um pouco de concentração para executá-la.
– Acho que entendi. – o garoto disse enquanto se aproximava do bloco novamente.
– Concentre-se e tente sentir novamente aquilo que você sentiu quando estava sob o efeito da Pílula do Despertar.
Ron fechou os olhos e se concentrou até sentir em seus braços algo semelhante do que sentia com as pílulas, e novamente socou o bloco, correndo e gritando de dor em seguida.
Três semanas se passaram e as mãos do garoto já estavam cheias de hematomas, mas o bloco continuava intacto.
– Ron, hoje você não irá treinar. – Dimon disse quando eles já estavam no terraço.
– Como assim? – ele disse enquanto se aproximava do bloco.
– Você está demorando muito para completar essa parte do treino, a maioria das pessoas a completam em apenas uma semana, e como já se passaram três, eu não tenho mais nada a fazer senão finalizar seu treinamento.
– O que isso quer dizer? Essa parte do treinamento acabou?
– Não, quer dizer que você não vai mais treinar, pois você não possui mais nenhuma chance de entra para a Dion.
– Você não pode estar falando sério!
– Sinto muito.
– Me dê só mais uma chance! Por Favor!
– Por que eu faria isso? Se você não teve nenhum progresso nessas últimas semanas, te dar mais chances seria apenas desperdício de meu tempo.
– Então me dê apenas mais um dia! Nós já estamos aqui mesmo!
Dimon pensou durante alguns segundos, retirou um pequeno celular de seu bolso e viu as horas em sua tela.
– Está bem, mas será a sua última chance. Você tem até as 18 horas para conseguir.
– Você tem um celular?! – Ron disse espantado.
– Sim, por quê?
– Por nada, mas você não parece ser o tipo de cara de usaria algo tão moderno. – Ron disse rindo para disfarçar a vergonha que estava sentindo por ter dito aquilo.
– O tempo está passando, é melhor você começar o treinamento. – Dimon disse sem entender direito por que ele estava rindo.
O garoto se aproximou do bloco de concreto e, nervoso para conseguir quebrá-lo rapidamente, começou a socá-lo sem parar, até sua mão se machucar e salpicar algumas gotas de sangue no objeto.
– Droga! – ele gritou enquanto observava sua mão ferida.
– Já acabou? – disse Dimon.
Ron ficou furioso, mas o ignorou, pois não tinha tempo para brigar. À medida que o tempo se passava, os punhos do garoto ficavam cada vez mais vermelhos de sangue, e quando já faltavam apenas quinze minutos para as dezoito horas, toda a força de seus braços já havia se esvaído.
– O tempo já praticamente se esgotou, eu estou indo embora. – Dimon disse enquanto começava a caminhar no rumo da porta
– Espere! – Ron gritou.
Ele parou e se virou.
– Me desculpe, mas dezoito horas são dezoito horas, não quinze para as dezoito. – Dimon disse enquanto se sentava escorado na porta. Aquele havia se tornado o seu lugar de descanso preferido em todo o hotel.
Enquanto dava mais socos no bloco, a vida de Ron passou pela sua cabeça dividida em duas etapas, antes e depois de ter conhecido Dimon, e então ele percebeu que não estava fazendo aquilo apenas para entrar em um clã bobo, e sim porque tudo que aquele garoto o influenciou a fazer o haviam transformado por dentro, deixando-o mais forte, e ele sentia que se não completasse aquele treinamento, estaria fadado a ficar fraco novamente.
– Faltam dez minutos. – disse Dimon.
Novamente o garoto ficou furioso, mas não com ele, e sim consigo mesmo.
– Eu não vou ficar fraco de novo! – ele gritou enquanto dava ainda mais socos.
Seu sangue já havia colorido toda a parte de cima do concreto, mas ele não ligava para a dor, e batia cada vez mais forte no objeto.
“Eu não vou ficar fraco de novo! Eu não vou ficar fraco de novo!” – esse pensamento ecoava em sua cabeça como se ele ainda estivesse gritando.
Enquanto a frase ficava cada vez mais alta em sua mente, ele começou a sentir o mal estar que a Pílula do Despertar lhe causava, e então, em seu último momento de desespero, socou o bloco com a força não só de seu braço, mas de todo seu corpo, causando uma rachadura que começou em seu centro e acabou dividindo-o em dois.
– Finalmente. – ele sussurrou enquanto recuperava o fôlego.
– Parabéns, eu não achei que você conseguiria. – Dimon disse enquanto se levantava.
– Após três semanas fazendo isso, qualquer um conseguiria. – ele disse com um sorriso enquanto observava gotas de sangue de suas mãos manchando o chão.
– Ah sim, eu menti sobre isso. A maioria das pessoas demora mais de um mês para conseguir completar essa parte, eu apenas queria ver se você conseguiria terminá-la mais rápido se estivesse sob pressão.
– Eu não acredito que você fez isso! Olhe como machuquei minhas mãos para conseguir quebrar essa pedra! – ele gritou furioso.
– Também menti sobre tirar as chances de você entrar para o clã. Eu sabia que você iria insistir para continuar o treinamento, por isso resolvi falar aquilo.
O garoto ficou ainda mais nervoso ainda nervoso, mas se acalmou no mesmo instante, pois se lembrou que agora possuía uma força sobre-humana, e nunca mais seria aquele garoto comum de antes.
– Vá para sua casa cuidar de suas mãos. Assim que elas estiverem melhores, seu treinamento irá continuar. – disse Dimon.
– O que eu vou ter que fazer? Treinar minha velocidade, ou algo assim?
– Não, velocidade, ou agilidade são coisas que só são adquiridas com muito tempo.
– Então o que vai ser?
– Não se preocupe com isso, apenas vá para casa e celebre a vitória que você teve hoje. – Dimon disse enquanto começava a andar na direção da porta.
Naquele momento a alegria dentro de Ron ficou ainda maior. Até então, ele apenas ouviu Dimon falando sobre aquelas incríveis histórias que desafiavam a realidade, mas agora, agora ele fazia parte delas!
Duas semanas se passaram desde que Ron conheceu Dimon, e só agora ele estava totalmente curado de seus ferimentos.
– Parece que você está bem melhor. – o novato de cabelos negros disse assim que o garoto entrou na sala de aula. – O seu treinamento vai começar hoje.
– Onde vai ser? – Ron disse enquanto se sentava em sua carteira.
Dimon lhe entregou um pedaço de papel.
– Me encontre depois da escola nesse endereço. – ele falou em seguida.
Quando o intervalo entre as aulas chegou, Ron ficou perto de Dimon, mas eles ficaram em silêncio até que Sarah se aproximou deles.
– Aquela pomada ajudou a diminuir a dor na sua perna? – ela disse.
– Sim, obrigado. – Ron disse enquanto retirava um pequeno tubo de seu bolso. – Se não fosse por ela, eu ainda não estaria andando direito.
Ele a entregou para a garota, que também a colocou em seu bolso.
– Se precisar de alguma coisa, pode me dizer. – ela disse sorrindo
Ele disse sim com a cabeça e a garota se afastou dos dois enquanto acenava.
– Ela tem conversado bastante com você. – disse Dimon.
– A Sarah? Ela estava apenas me emprestando uma pomada para a dor em minha perna. – Ron disse enquanto seu rosto ficava levemente vermelho.
– Achei que sua perna tinha melhorado há uma semana.
– Você... Você está enganado, foi as minhas costas que pararam de doer semana passada.
– Acho que você está certo. – Dimon disse com um sorriso.
Após acabar a última aula, Ron estava saindo da escola quando reparou que nunca via Dimon sair junto com os outros alunos. Isso o intrigou, mas não muito, pois não achou que era algo preocupante.
Após chegar em sua casa, o garoto almoçou, descansou um pouco e disse a sua mãe que iria a um grupo de estudo organizado por algumas pessoas de sua sala. Após ela concordar, ele foi a pé até o endereço que Dimon lhe entregou. Por sorte o lugar não era muito longe, e em apenas meia hora ele já havia chegado na rua descrita no papel.
Era um lugar horrível, com lixo jogado em todos os lugares, casas e prédios pichados e cheios de buracos e várias pessoas sentadas no chão, andando em direções aleatórias, ou deitadas na calçada, como se estivessem desmaiadas. Todas elas estavam com as roupas surradas e, os que não estavam conversando, estavam fumando algo que Ron nunca havia visto.
Enquanto cruzava a rua, todos a sua volta passavam a prestar atenção apenas nele. Forçando para ignorá-los, Ron começou a andar cada vez mais rápido, até que ouviu um estalo embaixo de seu pé e parou assustado. Ele havia pisado em uma enorme barata, espalhando uma gosma pelo asfalto e toda a sola de seu tênis.
Aquilo fez o garoto querer voltar correndo para sua casa no mesmo instante, mas ele já estava tão perto que resolveu continuar. Após andar mais alguns metros, finalmente chegou ao endereço que Dimon lhe entregou, era um prédio de quatro andares com as palavras “Hotel F...” pintadas na fachada. Ele só não conseguiu ler o resto devido a várias pichações que tampavam o resto das letras.
Após passar pela porta, Ron se assustou ao ver que lá dentro também estava cheio de pessoas, e as que não estavam sentadas usando drogas, estavam em pé vendendo-as. Enquanto ele se adentrava no lugar, um homem magro, com barba e cabelo mal cortados e roupas rasgadas se aproximou dele.
– Ei, moleque! Vai querer o quê?!
O garoto ficou paralisado de medo no mesmo instante e não conseguiu fazer nada a não ser encarar o homem.
– Eu perguntei o que você vai querer! – ele falou nervoso.
– Eu... Eu não quero nada. – enfim falou.
Ron continuou andando, ignorando a expressão furiosa do homem, e após passar por vários cômodos e ver apenas mais pessoas desconhecidas, pensou que Dimon havia apenas lhe pregado uma peça e resolveu ir embora, mas após se deparar com uma escada de concreto totalmente destruída, ficou curioso e foi até ela.
Não havia sobrado nenhum degrau, todos eles haviam se transformado em entulho, deixando um vazio que levava até o próximo andar. Enquanto observava aquilo, o garoto olhou para cima e viu uma perna estirada no vão.
– Tem alguém aí?! – ele gritou.
O rosto de Dimon surgiu no andar de cima.
– Você demorou. – ele falou.
Ron olhou para trás e viu que algumas pessoas o estavam observando.
– Me deixe subir. – ele falou com a voz um pouco mais alta que um sussurro.
Dimon se levantou, se afastou e, após um som metálico ecoar por todo o hotel, jogou uma escada de corda para o garoto.
Após usá-la para subir, Ron percebeu que as pontas da escada estavam amarradas em duas belas estacas negras presas ao chão. Ele deduziu que o som metálico havia vindo delas.
Com uma força impressionante, Dimon as retirou do chão e as colocou em elásticos presos em sua calça. Somente naquele momento Ron reparou na roupa que o garoto estava usando, uma calça, camisa, sapatos e faixa amarrada em sua cintura, todas negras e semelhantes às usadas por ninjas em filmes de ação.
– Por que você está usando essa roupa? – Ron perguntou.
– Ela é confortável e me dá flexibilidade.
Ron a achou bonita e no mesmo instante passou a desejar uma para si.
– Nós vamos subir até o ultimo andar. – Dimon disse enquanto começava a andar.
Enquanto o seguia, Ron observava o lugar. Havia um corredor com várias portas que levavam aos quartos e no final existia outro vão com vários destroços do que já foi uma escada.
– Como nós vamos chegar ao segundo andar? É impossível. – Ron disse assim que eles chegaram ao final do corredor.
Ignorando-o, Dimon pegou as estacas, se afastou alguns metros e começou a correr em linha reta, mas antes que se chocasse com a parede a sua frente, conseguiu correr três passos sobre ela, subindo como se a gravidade não existisse, e fincou as estacas nela em seguida, levantando seu corpo até conseguir ficar em pé em cima delas.
Agora metade de seu corpo já estava no segundo andar, por isso foi fácil subir até ele e depois se deitar no chão para retirar as estacas da parede. Ron ficou abismado com aqueles incríveis movimentos.
– Eu esqueci a escada. Por favor, pegue ela para mim. – Dimon disse enquanto tirava a poeira de sua roupa.
Ele se lembrou que eles a haviam deixado perto do outro vão e correu para buscá-la. Somente enquanto a estava pegando, sua mente clareou e Ron parou para pensar em tudo o que acabou de presenciar. Quando Dimon estava subindo para o segundo andar, ele conseguiu fincar aquelas estacas em uma parede de concreto usando suas mãos, algo que em toda sua vida ele considerou ser impossível!
Na verdade, tudo que ele viu e ouviu vindo de Dimon era surreal, e mesmo assim ele não se espantou com nenhuma delas, na verdade, é como se elas fossem mais reais do que tudo em que ele já acreditou.
“Talvez seja porque eu nunca me encaixei no mundo real” Ron pensou.
Ao chegar onde Dimon estava, ele jogou a escada para o garoto e pouco tempo depois já estava no segundo andar.
Eles repetiram aquele mesmo processo até chegarem ao ultimo andar, fazendo com que Ron ficasse ainda mais admirado com a destreza e força de Dimon. Os dois foram até um dos quartos daquele andar, um dos poucos que ainda possuíam móveis, um tapete encardido no chão e um pequeno guarda-roupa sem portas e cheio de buracos no canto da parede.
– Antes de começarmos, eu vou responder qualquer pergunta sua. – Dimon disse enquanto se sentava no tapete e cruzava suas pernas.
Ron sentiu um pouco de receio de se sentar devido à grande quantidade de sujeira no tapete, mas se sentiu na obrigação de fazer aquilo.
– Pode perguntar qualquer coisa. – disse o garoto.
– Como você quer que eu acredite em tudo que você fala? Tudo o que você disse ou fez até agora não parece ter sido real, e sim uma grande mentira. – ele disse após se sentar
– Na verdade, é exatamente o contrário, tudo que você viveu até esse momento foi uma grande mentira.
– Como assim?
– O mundo não é o que já foi, ele ficou mais fraco. Você já deve ter visto em algum lugar que o ser humano é capaz de usar apenas 10% de seu corpo, mas isso não é verdade, no passado, através de treinamentos árduos, vários guerreiros conseguiam aumentar essa capacidade, conseguindo habilidades nunca vistas antes, mas estas técnicas eram exclusivas para poucos, e por isso elas começaram a se perder no tempo. Alguns desses guerreiros, vendo que cada vez menos pessoas as conheciam, criaram irmandades, ou se preferir, clãs para que os seus membros pudessem aprendê-las e aprimorá-las. Um deles era Emrin Dion, o criador do clã Dion. – Dimon deu uma leve pausa. – Por isso eu digo que o que você viveu até hoje foi uma mentira, pois desde pequeno você foi ensinado a acreditar que essa é a capacidade máxima do ser humano, quando na verdade é exatamente o contrário.
Ron ouviu tudo atentamente, e mesmo duvidando um pouco daquela história, acabou aceitando-a.
– Mais alguma pergunta? – disse Dimon.
– Acho que não.
– Neste caso, vamos começar o treinamento.
Os dois se levantaram, Dimon retirou o tapete, o jogou no rumo da parede e tateou o chão até afundar um pequeno pedaço dele como se fosse um botão, fazendo a parede ao lado se abrir como uma porta, revelando diversos tipos de armas.
– Eu só havia visto isso em filmes! – Ron disse impressionado.
– Eu irei te ensinar a usar todas elas, e quando você as dominar, eu irei determinar com qual você possui maior habilidade. – ele disse ignorando o comentário do garoto.
– Por quê?
– Quando você entrar no clã, uma arma será forjada especialmente para você, e sou eu, seu tutor, quem decidirá qual será ela.
Na parede havia vários tipos de espadas, lanças, escudos, adagas e outras armas que Ron já havia visto, mas não conhecia o nome delas.
– Por que não há nenhuma arma de fogo?
– Armas de fogo não mostram a força dos homens, e sim as suas fraquezas.
Ron ficou um tempo em silêncio tentando entender o significado da frase.
– Qual arma você ganhou quando entrou no clã? – por fim falou.
Dimon deu um sorriso e pressionou o canto inferior da parede onde estavam as armas, apertando outro botão e fazendo uma porta menor se abrir abaixo dele. Lá havia duas adagas, ambas dentro de belas bainhas negras com a imagem de um pégaso vermelho em cada uma.
Dimon as colocou na sua cintura dentro de dois suportes feitos especialmente para elas e as sacou, mostrando-as para o garoto. Ambas possuíam o punho azul escuro com uma lâmina negra que lançava um belo, mas ao mesmo tempo medonho brilho que arrepiou todos os cabelos dos braços de Ron.
– Essas são minhas armas, elas foram feitas com as pedras preciosas mais resistentes do mundo, as tornando inquebráveis e capazes de cortar qualquer coisa. Graças a elas eu ganhei o nome de Chaos Diamond.
– Que nome massa! Eu também quero um assim!
– Quando entrar no clã você também receberá o seu.
Dimon fechou as duas portas, fazendo a parede ficar como antes.
– Nós não vamos pegar uma delas?
– Por enquanto não, você terá outros treinamentos até poder usá-las. – disse Dimon.
– Então por que viemos até aqui? – disse Ron.
– Apenas para eu te mostrar onde estão as armas. Seu verdadeiro treinamento vai ser no terraço. – ele disse enquanto apontava para cima.
– Como nós vamos fazer para chegar lá? Correndo pelo muro do hotel?
– O quê? Não, eu não destruí a escada que leva até lá. Achei que não havia necessidade.
– É claro que não! Você só precisava destruir a primeira escada para impedir que outras pessoas subissem até aqui.
Dimon ficou alguns segundos em silêncio.
– Isso não importa agora. Vamos para o terraço. – ele falou enquanto começava a andar.
“Parece que ele não gosta de estar errado” Ron pensou enquanto o seguia.
Eles subiram uma escada no final do corredor do andar até chegar a uma porta. Dimon a abriu e eles entraram no terraço. Era um lugar totalmente plano e vazio, apenas com um pequeno cubículo onde ficava a porta que eles acabaram de atravessar.
– O que eu tenho que fazer? – Ron disse enquanto se espreguiçava, alongando boa parte de seu corpo.
– Primeiro vamos treinar seu condicionamento físico. Você pode começar dando voltas no terraço correndo.
– Correr?! Que tipo de treinamento é esse?
– Você irá demorar muito mais para aprender artes marciais se não estiver acostumado com exercícios físicos, e correr é a atividade ideal para isso.
Ainda um pouco sério, Ron começou a correr vagarosamente, quase andando.
– Isso é o mais rápido que você consegue? – disse Dimon.
– Educação Física nunca foi minha matéria preferida. – ele disse já um pouco sem fôlego.
“Acho que isso vai demorar um pouco” – Dimon disse enquanto se sentava escorado na porta.